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Nota de pesar pelo corte do Pinheiro da Igreja

Nota de pesar pelo corte do Pinheiro da Igreja

Foi com pesar que se assistiu, no passado dia 18 de fevereiro de 2021, ao abate do pinheiro da Igreja (Pinus Pinea), um exemplar de boa memória, plantado seguramente na primeira metade do séc. dezanove, o que lhe permitiu acompanhar em silêncio e sossego um longo período da vida de Arrouquelas e d@s arrouquelenses.

Jamais poderia ter sido um ato gratuito, dada a consideração e respeito que esta árvore nos merece, pela ligação que estabeleceu com Arrouquelas nos seus principais momentos de vida. De facto, “desde o berço à cova”, toda a comunidade arrouquelense teve nesta árvore um forte referencial identitário e um repositório de memórias pessoais, e coletivas, verdadeiramente indescritível.

O pinheiro da igreja mostrou os primeiros sinais de doença em finais de novembro de 2017, altura em que se atribuíram culpas - infundadas - à existência de ramificações de Hedera Hélix, vulgarmente conhecida como hera, considerada ora planta ornamental ora praga vegetal, que estraga paredes e sufoca outras plantas, e ao encharcamento da raiz do pinheiro, provocada pelo rompimento circunstancial do cano de abastecimento do sistema de rega.

Os esforços populares e a preocupação da comunidade local levaram a que se tenha antecipado a necessidade de uma intervenção que pudesse atenuar a morte da árvore, libertada que foi das ramificações estéticas da trepadeira e colocada sob necessidade de intervenção urgente, apoiada pela limpeza completa do espaço em volta e libertação de sobrantes ainda existentes.  

Nesta sequência, foram ainda consultados os serviços do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), apontando como causas prováveis: i) a possível existência de colónia de Nemátode do Pinheiro Manso; ii) a degradação progressiva por efeito da Hedera Hélix; iii) o encharcamento da raiz e iv) a conjugação de fatores múltiplos não identificados à data.

A iminência de degradação fatal da árvore levou ao contacto com o Fitolab - Laboratório de Fitossanidade do Instituto Pedro Nunes, de Coimbra - cuja equipa, liderada por Antonio Portugal (Ph.D) e Luis Fonseca (Ph.D), se deslocou ao local no dia 14 de julho de 2020, para recolher amostras que permitissem diagnosticar a situação, o que se veio a confirmar.

No relatório de Ensaio (IPN/FITOLAB/077) é descrita a existência de nematodes fungivoros e bacteriófagos nos ramos da copa do pinheiro, e de vários tipos de fungos, com destaque para o Sphaeropsis sapinea, causador de degradação em espécies de Pinus.

Foi igualmente identificado o fungo Mariannaea elegans, comum em madeira em processo de apodrecimento, para além de inúmeras galerias de Cerambicideos que podem ter contribuído para a degradação da árvore. O ensaio recomendava que, face à necessidade de diminuição destes insetos, ou ao seu não aumento, se corte o “pinheiro já morto”.

Neste contexto, e cientes da necessidade de abate da árvore, o assunto foi sendo objeto de análise e discussão nos principais fóruns de debate local (Junta e Assembleia de Freguesia), tendo-se sinalizado imensas propostas para o corte, todas elas insuficientes face à gravidade do processo de degradação, bem como à necessidade de conter a disseminação de novas galerias de insetos nas árvores que coexistem na proximidade do espaço da igreja e do cemitério.

A empresa Árvores & Pessoas foi a responsável pelo corte, contratualizado com o Município de Rio Maior, que através dos seus serviços técnicos tornaram a tarefa menos onerosa para a Freguesia de Arrouquelas, embora digna da nossa nota de pesar.

É intenção do executivo proceder à requalificação do espaço, com possível rearborização seletiva e nivelamento de terras e acessos pedonais, estando prevista a colocação, em local visível, de uma lâmina retirada do pinheiro, com datação para memória futura.

ANEXOS A CONSULTAR:

Relatório INFOLAB-IPN


Administração 08/03/2021
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